Sentada no penúltimo banco do ônibus, aquele que fica ao lado da porta. Eis que surge um cachorro, eu fiquei surpresa e abri um sorriso, me fazendo a seguinte pergunta: “Um cachorro dentro do ônibus?”
Eu estava de capuz na hora, quando tirei pude perceber que o dono do cachorro era um rapaz cego, ele falava alto, a dupla encantou o pessoal do ônibus naquela tarde de sábado, toda a situação encheu o coração de quem estava ali e o sorriso também.
Por fim descobri que aquele vira-lata que ajudava o moço, era na verdade uma cadela, Nina era seu nome. E nessa mesma semana em que tive Nina em minha vida, comecei a refletir quantas pessoas tinham cachorrinhos, em sua maior parte eram com raça. Fico triste pois parece que o animal é um objeto para ser exibido nas fotos, as pessoas ainda pagam dinheiro por um bichinho, sendo que tem tantos sem abrigo e sem comida, elas vão lá e escolhem o do Pet Shop, bonito e bem cuidado, pois você gosta de cachorros de raça mas além de tudo, gosta de um bela foto, por algum motivo você não acha um vira-lata digno de tirar fotos bonitas. Fico triste com isso, na verdade revoltada, pois tem gente que eu conheço que trata vira-lata como um nada e cachorro de raça como ursinho de pelúcia como se só um fosse digno de atenção.
Nina é vira-lata, e faz um trabalho muito lindo sendo cão-guia para seu dono, auxilia ele trazendo segurança em seus caminhos. Sabe, todos são cachorros, as pessoas separam eles como se fossem coisas diferentes, tem algo errado aí, e isso me incomoda demais.
12/08/2017
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